terça-feira, 13 de novembro de 2012

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Resta esperar

Tenho esperança. Aguardo. Acho provável. Suponho. Imagino. Sonho. Confio. ESPERO.

Será possível alcançar o que esperamos? Dizem que sim. Com coragem. Com preserverança. Com confiança. Com paciência. Sobretudo quando é um projeto partilhado, construído. Quando tantos dedos torcem e tantas orações são feitas. Resta esperar.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Caminho...

 
Sou Caminho... sou cada uma das pedras pisadas diariamente por quem busca alcançar o mais.
A Vida entranha-se-me no espaço disponível. Há sempre espaço disponível para os pés cansados, o suor, as fadigas e as correrias de quem caminha procurando alcançar um outro lugar.
É dificíl  escutar o silêncio, sentir a calma. Daqui é impossível ficar indiferente. É em Mim que pisam os pés, em Mim caem as lágrimas, em Mim sinto a desesperança, a indisponiblidade, o orgulho, o egoísmo, a infelicidade.
Faço-me passagem, acolhimento. Falo, mas na pressa de atingir um outro espaço em pouco tempo, não Me ouvem.
Mas em Mim repousam também os sonhos e as esperanças, as alegrias e expectativas daqueles para quem o horizonte é sinónimo de persistência e de caminhada pois é lá que Eu me encontro.
Estes pés são diferentes. Sente-se a sua força, caminham unidos e confiados, deixam-se tocar por Mim. Sabem que Eu sou real, que Eu sou Verdade. Estes pés acariciam-me, partilham comigo os seus projectos, traçam em Mim os seus rumos, fazem de Mim mapa de Vida.
Para estes pés Eu sou Luz que ilumina, Amor que pacifica. Para estes pés caminhar é ser maior, é estar ao serviço. Continuam a existir o cansaço e as lágrimas. Mas existe também o conforto e a Esperança. Fazemos caminho juntos.

Movimento

Confiar? Andar para a frente? E andar para trás, é movimento? Traçar objectivos? Ou ir para onde segue o caminho? Sei qual é o meu Caminho? Descobrir? Procurar? Encontrar? Ouvir? Aprender? Estar? Ser? Um estado? Uma condição? Liberdade? Compromisso? Serviço? Contemplação? Acção?


Somos aprendizes... e, para aprender, o movimento é necessário, seja o que for e onde nos leve.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Fidelidade

"A questão não é desistir ou resistir, isso é demasiado simplista. A questão é a da fidelidade. E ser fiel não é ir atrás dos sentimentos e das emoções que variam. Ser fiel é dar todas as voltas que forem precisas para alcançar os objectivos com que me comprometi. Desistir ou resistir é passivo. A fidelidade é criativa, é recomeçar cada dia."

Vasco P. Magalhães, sj

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Lar doce lar...

Ninho feito! Depois de mudanças mil, dos caixotes, livros, guitarras, louças e bugingangas. Após a limpeza, a colocação de prateleiras, da montagem de estantes, (e limpezas). Da escolha dos quadros e fotografias (e limpezas), tudo está pronto. Ou vai estando... Há cantinhos que vamos saboreando. Que vamos construindo devagar, com desvelo, colocando neles a nossa imaginação, o nosso carinho, sonhos, presença. São esses cantinhos únicos que mais gostamos de partilhar com os que são especiais.
Penso que a felicidade se encontra aí. Na partilha dos espaços, das conversas, da boa comida feita em casa, dos jogos de/à mesa, dos sorrisos cúmplices, dos cheiros a flores, bolo e a pão fresco, do calor de um chá, do aconchego de um abraço, de um ataque unido tardio ao frigorífico. Felicidade construída na simplicidade do dia-a-dia.

Multiculturalidade vs Interculturalidade

“Ao contrário do multiculturalismo - que pressupõe a existência de uma cultura dominante que aceita, tolera ou reconhece a existência de outras culturas no espaço cultural onde domina - a interculturalidade pressupõe o reconhecimento recíproco e a disponibilidade para enriquecimento mútuo entre várias culturas que partilham um dado espaço cultural.” (Santos, S. Boaventura & Meneses, Maria Paula (orgs.); Epistemologias do Sul; p.9; Almedina; 2009)

Proponho a todos o desafio de pensar nos diferentes países, quaisquer países, e de tentar ver qual a sua política/agenda cultural e como isso se reflecte na economia, na sociedade, na política.
Não quero fazer teorias. Apenas lançar algumas questões.
O que mais enriquece o ser humano? O que traz mais prosperidade às nações? O que mais traduz o exercício de uma cidadania activa, valores sociais e humanos?
Afinal o que é o desenvolvimento? Um resultado? Um processo? Uma utopia?
Existem dificuldades? Quais são? Na minha opinião, e começam as teorias, as piores dificuldades são as de comunicação, aquelas que não permitem ao Homem entrar no mundo do outro. E o que provoca estas dificuldades?
Os estereótipos? Os preconceitos? A crise económica? A criminalidade? ...
Na verdade, estas ideias e estatísticas míticas levam a um isolamento, a um “fechamento” ao que o outro é e ao que podemos aprender com ele e com as suas experiências.
Na base destas ideias poderá estar também um medo de perda de uma identidade e de valores ditos “tradicionais”.
E afinal? Onde está a globalização? Ao mesmo tempo que se advoga a globalização fecham-se fronteiras, proíbe-se a liberdade de expressão e de culto, atenta-se contra os direitos daqueles que “não são como nós”. A única globalização/globalismo é a/o de divisas.
Queremos ajudar os países parceiros, ainda chamados familiarmente de “subdesenvolvidos”, porque isso evita, de algum modo, a migração dos seus povos.
Mas nós precisamos de migração! A diferentes níveis. Num nível mais óbvio devido ao envelhecimento populacional. 
Mas, e sobretudo, porque precisamos de interagir culturalmente, ser mais, crescer.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Felicidade low-cost

Incrível como tomamos como certo e garantido que vamos ser felizes (no futuro, num outro local, com outras pessoas, de férias, a trabalhar no que gosto... numa situação maioritariamente contrária à que nos encontramos) e como valorizamos tão pouco o momento presente e a felicidade que se apresenta a cada momento nas coisas simples e nos bocadinhos de tempo, de sorrisos, abraços, amizade e amor que conquistamos a cada dia. 
Conquistamos. É a palavra correcta. Porque a felicidade é subjectiva e depende do lugar do observador, da sua perspectiva e da forma como quer saborear e partilhar esses momentos. Porque nesta suave felicidade constante que podemos viver teremos picos de alegria e de tristeza, de saudade, de coragem, de luta, de resiliência. 
Mas será sempre uma conquista. E a conquista desta felicidade não é low-cost. 
Mas, todos podemos ficar descansados, haverá sempre felicidade low-cost para quem não der de si com os outros todos os momentos de todos os dias, para quem, com a promessa de um bilhete low-cost, quiser esperar por um estado de felicidade longínquo, num futuro distante.

O sol

"O sol está ocupado. Deve estar a brilhar num outro lugar". Esta é a observação do meu afilhado de 4 anos acerca de um dia nublado e com nuvens e que me levou a fazer a analogia com o facto de nós, enquanto adultos e humanos, padecermos do mal da comparação da nossa vida com a vida dos outros, achando sempre, erroneamente, que o sol não brilha tanto sobre nós. 
Depende de cada um de nós ocupar-nos com o que nos preenche e nos faz felizes, salvaguardando-nos da aparência da fotografia e do facebook. Só aí o sol poderá brilhar em nós.

domingo, 19 de agosto de 2012

Terra...

" - É a minha terra, a minha terra! 
Mesmo assim, pávida e poeirenta, ela me surgia como o único lugar do mundo. Meu coração, afinal, não tinha sido enterrado. Estava ali, sempre esteve ali, reflorindo no frangipani. Toquei a árvore, colhi a flor, aspirei o perfume. Depois divaguei na varanda com o oceano a namorar-me o olhar. Lembrei as palavras do pangolim:
- Aqui é onde a terra se despe e o tempo se deita."

Mia Couto, A Varanda do Frangipani


domingo, 12 de agosto de 2012

O Sonho...

"O sonho do poeta não comanda só a vida. Às vezes, quando o sonho é obra de homens verdadeiramente admiráveis, ele acaba por pesar também, na escolha do caminho por onde avança a marcha do mundo."

José Manuel Barata-Feyo

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Cegueira emocional


“O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isso contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele, o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses.”
José Saramago

A cegueira mental que Saramago tão bem descreve é só comparável à cegueira emocional com que vivemos hodiernamente, que envieza e escurece o nosso mundo relacional. 
Talvez seja este o tempo de explorar diferentes narrativas que nos levem a formas distintas de comportamento. Educar para o vocabulário emocional, para as emoções e para o lugar das mesmas na nossa vida. As emoções conduzem a atitudes, que por sua vez, levam a comportamentos.
Assumir, por exemplo, a "tristeza", a "angústia", a "inveja", todas as emoções julgadas "menores", para delas advir o amadurecimento e crescimento pessoais, é um passo em frente na nossa compreensão humana e na assertividade face aos outros e às situações. Isso permitir-nos-á estar no mundo e ver o mundo, e, acredito, servir os interesses do Ser Humano/das relações/do mundo.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Tesouros


 “Porque, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”  
(Lc  12, 34)

Estou numa fase "à busca do tesouro perdido". Acho que preciso de uma bússola, de um GPS, ou de algo para o reencontrar. O tesouro sempre foi, para mim, o trabalho que me realiza, que me pode levar mais longe no meu crescimento e fazer feliz (nem que para isso tivesse de ir para África). E o meu coração estava aí. 
Agora muitas coisas mudaram, há um novo e grande tesouro para explorar ao longo de uma vida. E o meu coração está aqui. É possível ter dois tesouros e guardar o coração em dois lugares? Não me parece. O meu coração está definitivamente neste novo tesouro (que me parece tão antigo quanto o tempo). 
Agora vejo que o trabalho é apenas trabalho mas é nele que encontro segurança e um grande sentido de valor pessoal e, sem dúvida, preciso desse papel na minha vida de modo a não colocar os outros papéis (relacionais) em risco.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ficar à margem (de mim)


“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.
Fernando Pessoa

Ousar, arriscar, sonhar, acreditar, descobrir se é possível. Quero caminhar sem receio de abandonar a roupa usada, trilhando novos caminhos. Quero ser o rio e não a margem, correr livremente em direcção à minha realização pessoal e profissional. Viver novamente o sentido de coerência e integridade de mim mesma - sem fragmentação. Depende de mim.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Felicidade

"Não se pode confundir felicidade com facilidade. A felicidade não cai do céu, é luta e dá trabalho. É Graça, também! A felicidade cristã tem três "efes": fé, fidelidade e fecundidade! Fé, que é confiança em Deus. Fidelidade, que é nunca desistir de alcançar o que se propôs. Fecundidade, que significa abertura ao que Deus nos pede, capacidade de gerar futuro. Se alguma destas coisas não existe, não podemos encontrar a felicidade. Feliz equivale a ser pessoa de fé, confiante, fiel aos seus propósitos, fecunda, aberta aos outros e à vida."
Vasco P. Magalhães, sj

Pois é... e agora? A felicidade não está garantida, nunca me parece completa. Ainda bem, provavelmente. Encontro-a sempre no Outro, na relação. 
Contudo neste momento, e dado que me encontro à procura de novas oportunidades de inserção profissional, parece-me que tenho de ser mais fiel do que alguma vez fui na procura da realização pessoal. Penso que a felicidade não se encontra, constrói-se. E é dessa construção que advém a fecundidade, pois enquanto vou construindo estou, simultaneamente, a testar-me, a questionar-me, dependendo do Outro e de Deus. E isto transborda para todas as áreas da minha vida. 
A raíz do problema reside em nem sempre os níveis de confiança ou de resiliência - face às dificuldades - estarem no seu auge...

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Valor individual (?)

Como definimos o nosso valor individual? Quais as nossas categorias individuais positivas que nos permitem sorrir e estar de bem com o nosso auto-conceito? Definimo-nos comparando-nos relativamente aos outros (mais ou menos significativos)? Construimos a nossa definição actual de valor subjacente ao processo individual de crescimento e aos objectivos já atingidos vs os que pretendemos atingir? Como é que as nossas conclusões constroem o nosso processo identitário? E quando entramos em conflito face a situações adversas que condicionam a nossa percepção de valor individual?

sábado, 23 de junho de 2012

Feito de...

Feito de pedaços de mundo, de partilhas, regaços, risos e sorrisos. Feito de tempo, cumplicidade, memórias e histórias. Feito de sonhos, sentimentos, mimos e caminhos (cruzados e em aberto). 
Feito de bocadinhos do eu, do tu e do nós que somos quando estamos juntos. 
Amor feito de Amor.

Bichezas


Recordo Cuamba como terra de muitos bichos… desde as endémicas baratas voadoras até às não menos endémicas cobras ou camaleões. Recordo agora este texto que lá escrevi e que hoje partilho.

Às vezes penso que tipo de bicheza seremos nós. Está bem, sem as cores exuberantes dos animais tropicais! Mas frequentemente com as mesmas garras e dentes afiados, com as mesmas técnicas de ataque e instintos de defesa.
 O que nos vale é sermos grupais e, felizmente, sociais. Isso leva a grandes aprendizagens – tão grandes quanto os erros cometidos. O que leva a pensar, o que é certo, o que é errado? Não haverá muito cinzento entre o preto e o branco?
Somos animais de gaiola que chegam à selva? Somos selvagens que chegamos à gaiola? O que é a selva, o que é a gaiola?
Cada vez mais o mundo é global. Não só o físico mas sobretudo o interior. Qual é o mundo que trago dentro? Qual o mundo que quero construir? Qual o mundo que quero partilhar? O que me move? 
Por mim, quero viajar no mundo do outro. Esse é, sem dúvida, o melhor turismo que posso fazer.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O embondeiro


O embondeiro continua a ser a minha árvore preferida, desde o tempo em que os via todos os dias em Moçambique. Não, em Portugal não há, mas decerto se lembram dos da história do Principezinho, de Saint-Exupèry.
O embondeiro parece ter sido enterrado de cabeça para baixo no solo que o acolhe. No lugar dos ramos ficaram as suas raízes. Esta inversão estrutural, metafórica, recorda-me que os sonhos são o mais importante. Quando temos a raiz nos nossos sonhos e nos enterramos, agarrando-nos a eles, permitimo-nos ir mais longe, voar para além das rotinas, dos trabalhos, das actividades. Vamos mais fundo para nos (re)descobrirmos. Somos radicais.

Nem sempre é fácil. Muitas vezes esquecemo-nos de regar o embondeiro que somos, de lhe dar luz, deixamos que os sonhos sequem e murchem. Outras vezes pensamos que o mundo tem que ser de uma forma pré-determinada e aí viramos a nossa árvore ao contrário enterrando os sonhos bem fundo.
Assassinamos os nossos sonhos, suicidamos a nossa essência.
Seria bom tentar, a cada dia, concretizar os nossos pequenos sonhos, aqueles que adiamos por falta de tempo ou de coragem, seria bom tentar, a cada dia, concretizar os sonhos de alguém. Os sonhos devem ser desejados, cuidados, protegidos, alimentados. E também partilhados.
Um embondeiro, em Moçambique, é considerado uma árvore sagrada. Está disponível, frágil, desarmada e por isso forte e velada por todos. Precisamos gritar os sonhos, expor-nos ao mundo.
Viver o sonho é ser feliz, é alegrar-mo-nos com o sol que toca os nossos ramos, é sentir a chuva que toca o nosso tronco, é ter no chão crenças profundas que nos agarram ao âmago do que nos faz viver. 

(foto: pequeno embondeiro, Malawi)

Psicoma

O que fazer quando estamos quase a entrar em modo "psicoma" (note-se que é uma palavra que resulta de psi+coma= coma da mente)? Alguém tem sugestões?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Habitar o medo

Algo que tenho observado: pessoas com medo de visitar estados emocionais que causam receio, ansiedade, tristeza. No entanto a necessidade de os habitar impõe-se. De modo a que a paisagem emocional de significados que condiciona o significado da experiência possa ser alterado. De modo a nascer a compreensão, a aceitação e a superação.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Mudar

Se há algo que aprendi é que a mudança que cada um de nós opera em si tem de ser experiencial, e não apenas factual. Isto aplica-se também às decisões que temos de tomar de modo a que a mudança ocorra. Experimentá-las, saboreá-las... e ver se têm consistência.

Tejo

O rio (ah, este Rio Tejo!) tem tantos rios contidos nele... Tão bom que é poder ficar num estado de paz e quietude- quase catatónico, diria - a observar as nuances que o rio me trás, poder mergulhar na paisagem emocional de significados vários que trago dentro de mim e apenas estar...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

quinta-feira, 14 de junho de 2012

"Que morada me irá receber? Em que vale encontrarei o meu porto? Em que bosque criarei o meu lar?"

William Wordsworth (O Tesouro Escondido, Mendonça, José Tolentino)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Hoje foi um dia de viajar dentro de mim, de fazer turismo, e descobrir quão grande é o meu mercado de saudades...

domingo, 10 de junho de 2012

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