terça-feira, 25 de setembro de 2012

Caminho...

 
Sou Caminho... sou cada uma das pedras pisadas diariamente por quem busca alcançar o mais.
A Vida entranha-se-me no espaço disponível. Há sempre espaço disponível para os pés cansados, o suor, as fadigas e as correrias de quem caminha procurando alcançar um outro lugar.
É dificíl  escutar o silêncio, sentir a calma. Daqui é impossível ficar indiferente. É em Mim que pisam os pés, em Mim caem as lágrimas, em Mim sinto a desesperança, a indisponiblidade, o orgulho, o egoísmo, a infelicidade.
Faço-me passagem, acolhimento. Falo, mas na pressa de atingir um outro espaço em pouco tempo, não Me ouvem.
Mas em Mim repousam também os sonhos e as esperanças, as alegrias e expectativas daqueles para quem o horizonte é sinónimo de persistência e de caminhada pois é lá que Eu me encontro.
Estes pés são diferentes. Sente-se a sua força, caminham unidos e confiados, deixam-se tocar por Mim. Sabem que Eu sou real, que Eu sou Verdade. Estes pés acariciam-me, partilham comigo os seus projectos, traçam em Mim os seus rumos, fazem de Mim mapa de Vida.
Para estes pés Eu sou Luz que ilumina, Amor que pacifica. Para estes pés caminhar é ser maior, é estar ao serviço. Continuam a existir o cansaço e as lágrimas. Mas existe também o conforto e a Esperança. Fazemos caminho juntos.

Movimento

Confiar? Andar para a frente? E andar para trás, é movimento? Traçar objectivos? Ou ir para onde segue o caminho? Sei qual é o meu Caminho? Descobrir? Procurar? Encontrar? Ouvir? Aprender? Estar? Ser? Um estado? Uma condição? Liberdade? Compromisso? Serviço? Contemplação? Acção?


Somos aprendizes... e, para aprender, o movimento é necessário, seja o que for e onde nos leve.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Fidelidade

"A questão não é desistir ou resistir, isso é demasiado simplista. A questão é a da fidelidade. E ser fiel não é ir atrás dos sentimentos e das emoções que variam. Ser fiel é dar todas as voltas que forem precisas para alcançar os objectivos com que me comprometi. Desistir ou resistir é passivo. A fidelidade é criativa, é recomeçar cada dia."

Vasco P. Magalhães, sj

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Lar doce lar...

Ninho feito! Depois de mudanças mil, dos caixotes, livros, guitarras, louças e bugingangas. Após a limpeza, a colocação de prateleiras, da montagem de estantes, (e limpezas). Da escolha dos quadros e fotografias (e limpezas), tudo está pronto. Ou vai estando... Há cantinhos que vamos saboreando. Que vamos construindo devagar, com desvelo, colocando neles a nossa imaginação, o nosso carinho, sonhos, presença. São esses cantinhos únicos que mais gostamos de partilhar com os que são especiais.
Penso que a felicidade se encontra aí. Na partilha dos espaços, das conversas, da boa comida feita em casa, dos jogos de/à mesa, dos sorrisos cúmplices, dos cheiros a flores, bolo e a pão fresco, do calor de um chá, do aconchego de um abraço, de um ataque unido tardio ao frigorífico. Felicidade construída na simplicidade do dia-a-dia.

Multiculturalidade vs Interculturalidade

“Ao contrário do multiculturalismo - que pressupõe a existência de uma cultura dominante que aceita, tolera ou reconhece a existência de outras culturas no espaço cultural onde domina - a interculturalidade pressupõe o reconhecimento recíproco e a disponibilidade para enriquecimento mútuo entre várias culturas que partilham um dado espaço cultural.” (Santos, S. Boaventura & Meneses, Maria Paula (orgs.); Epistemologias do Sul; p.9; Almedina; 2009)

Proponho a todos o desafio de pensar nos diferentes países, quaisquer países, e de tentar ver qual a sua política/agenda cultural e como isso se reflecte na economia, na sociedade, na política.
Não quero fazer teorias. Apenas lançar algumas questões.
O que mais enriquece o ser humano? O que traz mais prosperidade às nações? O que mais traduz o exercício de uma cidadania activa, valores sociais e humanos?
Afinal o que é o desenvolvimento? Um resultado? Um processo? Uma utopia?
Existem dificuldades? Quais são? Na minha opinião, e começam as teorias, as piores dificuldades são as de comunicação, aquelas que não permitem ao Homem entrar no mundo do outro. E o que provoca estas dificuldades?
Os estereótipos? Os preconceitos? A crise económica? A criminalidade? ...
Na verdade, estas ideias e estatísticas míticas levam a um isolamento, a um “fechamento” ao que o outro é e ao que podemos aprender com ele e com as suas experiências.
Na base destas ideias poderá estar também um medo de perda de uma identidade e de valores ditos “tradicionais”.
E afinal? Onde está a globalização? Ao mesmo tempo que se advoga a globalização fecham-se fronteiras, proíbe-se a liberdade de expressão e de culto, atenta-se contra os direitos daqueles que “não são como nós”. A única globalização/globalismo é a/o de divisas.
Queremos ajudar os países parceiros, ainda chamados familiarmente de “subdesenvolvidos”, porque isso evita, de algum modo, a migração dos seus povos.
Mas nós precisamos de migração! A diferentes níveis. Num nível mais óbvio devido ao envelhecimento populacional. 
Mas, e sobretudo, porque precisamos de interagir culturalmente, ser mais, crescer.