terça-feira, 11 de setembro de 2012

Multiculturalidade vs Interculturalidade

“Ao contrário do multiculturalismo - que pressupõe a existência de uma cultura dominante que aceita, tolera ou reconhece a existência de outras culturas no espaço cultural onde domina - a interculturalidade pressupõe o reconhecimento recíproco e a disponibilidade para enriquecimento mútuo entre várias culturas que partilham um dado espaço cultural.” (Santos, S. Boaventura & Meneses, Maria Paula (orgs.); Epistemologias do Sul; p.9; Almedina; 2009)

Proponho a todos o desafio de pensar nos diferentes países, quaisquer países, e de tentar ver qual a sua política/agenda cultural e como isso se reflecte na economia, na sociedade, na política.
Não quero fazer teorias. Apenas lançar algumas questões.
O que mais enriquece o ser humano? O que traz mais prosperidade às nações? O que mais traduz o exercício de uma cidadania activa, valores sociais e humanos?
Afinal o que é o desenvolvimento? Um resultado? Um processo? Uma utopia?
Existem dificuldades? Quais são? Na minha opinião, e começam as teorias, as piores dificuldades são as de comunicação, aquelas que não permitem ao Homem entrar no mundo do outro. E o que provoca estas dificuldades?
Os estereótipos? Os preconceitos? A crise económica? A criminalidade? ...
Na verdade, estas ideias e estatísticas míticas levam a um isolamento, a um “fechamento” ao que o outro é e ao que podemos aprender com ele e com as suas experiências.
Na base destas ideias poderá estar também um medo de perda de uma identidade e de valores ditos “tradicionais”.
E afinal? Onde está a globalização? Ao mesmo tempo que se advoga a globalização fecham-se fronteiras, proíbe-se a liberdade de expressão e de culto, atenta-se contra os direitos daqueles que “não são como nós”. A única globalização/globalismo é a/o de divisas.
Queremos ajudar os países parceiros, ainda chamados familiarmente de “subdesenvolvidos”, porque isso evita, de algum modo, a migração dos seus povos.
Mas nós precisamos de migração! A diferentes níveis. Num nível mais óbvio devido ao envelhecimento populacional. 
Mas, e sobretudo, porque precisamos de interagir culturalmente, ser mais, crescer.

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