quinta-feira, 28 de junho de 2012

Tesouros


 “Porque, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”  
(Lc  12, 34)

Estou numa fase "à busca do tesouro perdido". Acho que preciso de uma bússola, de um GPS, ou de algo para o reencontrar. O tesouro sempre foi, para mim, o trabalho que me realiza, que me pode levar mais longe no meu crescimento e fazer feliz (nem que para isso tivesse de ir para África). E o meu coração estava aí. 
Agora muitas coisas mudaram, há um novo e grande tesouro para explorar ao longo de uma vida. E o meu coração está aqui. É possível ter dois tesouros e guardar o coração em dois lugares? Não me parece. O meu coração está definitivamente neste novo tesouro (que me parece tão antigo quanto o tempo). 
Agora vejo que o trabalho é apenas trabalho mas é nele que encontro segurança e um grande sentido de valor pessoal e, sem dúvida, preciso desse papel na minha vida de modo a não colocar os outros papéis (relacionais) em risco.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ficar à margem (de mim)


“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.
Fernando Pessoa

Ousar, arriscar, sonhar, acreditar, descobrir se é possível. Quero caminhar sem receio de abandonar a roupa usada, trilhando novos caminhos. Quero ser o rio e não a margem, correr livremente em direcção à minha realização pessoal e profissional. Viver novamente o sentido de coerência e integridade de mim mesma - sem fragmentação. Depende de mim.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Felicidade

"Não se pode confundir felicidade com facilidade. A felicidade não cai do céu, é luta e dá trabalho. É Graça, também! A felicidade cristã tem três "efes": fé, fidelidade e fecundidade! Fé, que é confiança em Deus. Fidelidade, que é nunca desistir de alcançar o que se propôs. Fecundidade, que significa abertura ao que Deus nos pede, capacidade de gerar futuro. Se alguma destas coisas não existe, não podemos encontrar a felicidade. Feliz equivale a ser pessoa de fé, confiante, fiel aos seus propósitos, fecunda, aberta aos outros e à vida."
Vasco P. Magalhães, sj

Pois é... e agora? A felicidade não está garantida, nunca me parece completa. Ainda bem, provavelmente. Encontro-a sempre no Outro, na relação. 
Contudo neste momento, e dado que me encontro à procura de novas oportunidades de inserção profissional, parece-me que tenho de ser mais fiel do que alguma vez fui na procura da realização pessoal. Penso que a felicidade não se encontra, constrói-se. E é dessa construção que advém a fecundidade, pois enquanto vou construindo estou, simultaneamente, a testar-me, a questionar-me, dependendo do Outro e de Deus. E isto transborda para todas as áreas da minha vida. 
A raíz do problema reside em nem sempre os níveis de confiança ou de resiliência - face às dificuldades - estarem no seu auge...

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Valor individual (?)

Como definimos o nosso valor individual? Quais as nossas categorias individuais positivas que nos permitem sorrir e estar de bem com o nosso auto-conceito? Definimo-nos comparando-nos relativamente aos outros (mais ou menos significativos)? Construimos a nossa definição actual de valor subjacente ao processo individual de crescimento e aos objectivos já atingidos vs os que pretendemos atingir? Como é que as nossas conclusões constroem o nosso processo identitário? E quando entramos em conflito face a situações adversas que condicionam a nossa percepção de valor individual?

sábado, 23 de junho de 2012

Feito de...

Feito de pedaços de mundo, de partilhas, regaços, risos e sorrisos. Feito de tempo, cumplicidade, memórias e histórias. Feito de sonhos, sentimentos, mimos e caminhos (cruzados e em aberto). 
Feito de bocadinhos do eu, do tu e do nós que somos quando estamos juntos. 
Amor feito de Amor.

Bichezas


Recordo Cuamba como terra de muitos bichos… desde as endémicas baratas voadoras até às não menos endémicas cobras ou camaleões. Recordo agora este texto que lá escrevi e que hoje partilho.

Às vezes penso que tipo de bicheza seremos nós. Está bem, sem as cores exuberantes dos animais tropicais! Mas frequentemente com as mesmas garras e dentes afiados, com as mesmas técnicas de ataque e instintos de defesa.
 O que nos vale é sermos grupais e, felizmente, sociais. Isso leva a grandes aprendizagens – tão grandes quanto os erros cometidos. O que leva a pensar, o que é certo, o que é errado? Não haverá muito cinzento entre o preto e o branco?
Somos animais de gaiola que chegam à selva? Somos selvagens que chegamos à gaiola? O que é a selva, o que é a gaiola?
Cada vez mais o mundo é global. Não só o físico mas sobretudo o interior. Qual é o mundo que trago dentro? Qual o mundo que quero construir? Qual o mundo que quero partilhar? O que me move? 
Por mim, quero viajar no mundo do outro. Esse é, sem dúvida, o melhor turismo que posso fazer.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O embondeiro


O embondeiro continua a ser a minha árvore preferida, desde o tempo em que os via todos os dias em Moçambique. Não, em Portugal não há, mas decerto se lembram dos da história do Principezinho, de Saint-Exupèry.
O embondeiro parece ter sido enterrado de cabeça para baixo no solo que o acolhe. No lugar dos ramos ficaram as suas raízes. Esta inversão estrutural, metafórica, recorda-me que os sonhos são o mais importante. Quando temos a raiz nos nossos sonhos e nos enterramos, agarrando-nos a eles, permitimo-nos ir mais longe, voar para além das rotinas, dos trabalhos, das actividades. Vamos mais fundo para nos (re)descobrirmos. Somos radicais.

Nem sempre é fácil. Muitas vezes esquecemo-nos de regar o embondeiro que somos, de lhe dar luz, deixamos que os sonhos sequem e murchem. Outras vezes pensamos que o mundo tem que ser de uma forma pré-determinada e aí viramos a nossa árvore ao contrário enterrando os sonhos bem fundo.
Assassinamos os nossos sonhos, suicidamos a nossa essência.
Seria bom tentar, a cada dia, concretizar os nossos pequenos sonhos, aqueles que adiamos por falta de tempo ou de coragem, seria bom tentar, a cada dia, concretizar os sonhos de alguém. Os sonhos devem ser desejados, cuidados, protegidos, alimentados. E também partilhados.
Um embondeiro, em Moçambique, é considerado uma árvore sagrada. Está disponível, frágil, desarmada e por isso forte e velada por todos. Precisamos gritar os sonhos, expor-nos ao mundo.
Viver o sonho é ser feliz, é alegrar-mo-nos com o sol que toca os nossos ramos, é sentir a chuva que toca o nosso tronco, é ter no chão crenças profundas que nos agarram ao âmago do que nos faz viver. 

(foto: pequeno embondeiro, Malawi)

Psicoma

O que fazer quando estamos quase a entrar em modo "psicoma" (note-se que é uma palavra que resulta de psi+coma= coma da mente)? Alguém tem sugestões?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Habitar o medo

Algo que tenho observado: pessoas com medo de visitar estados emocionais que causam receio, ansiedade, tristeza. No entanto a necessidade de os habitar impõe-se. De modo a que a paisagem emocional de significados que condiciona o significado da experiência possa ser alterado. De modo a nascer a compreensão, a aceitação e a superação.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Mudar

Se há algo que aprendi é que a mudança que cada um de nós opera em si tem de ser experiencial, e não apenas factual. Isto aplica-se também às decisões que temos de tomar de modo a que a mudança ocorra. Experimentá-las, saboreá-las... e ver se têm consistência.

Tejo

O rio (ah, este Rio Tejo!) tem tantos rios contidos nele... Tão bom que é poder ficar num estado de paz e quietude- quase catatónico, diria - a observar as nuances que o rio me trás, poder mergulhar na paisagem emocional de significados vários que trago dentro de mim e apenas estar...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

quinta-feira, 14 de junho de 2012

"Que morada me irá receber? Em que vale encontrarei o meu porto? Em que bosque criarei o meu lar?"

William Wordsworth (O Tesouro Escondido, Mendonça, José Tolentino)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Hoje foi um dia de viajar dentro de mim, de fazer turismo, e descobrir quão grande é o meu mercado de saudades...

domingo, 10 de junho de 2012

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